terça-feira, 16 de novembro de 2010



MULHER NEGRA MULHER
EXPOSIÇÃO NO RJ



sábado, 13 de novembro de 2010



TREM DO SAMBA - 2010 ...





Essa é para você ir se programando - sobretudo quem mora em outra cidade. Pela primeira vez, o Trem do Samba (ou Pagode do Trem) não acontecerá no Dia do Samba (2 de dezembro). Em 2010, os trens mais animados do mundo sairão no dia 4 de dezembro, um sábado, a partir do meio-dia.

Assim como nos outros anos, haverá música nos vagões, bem como palcos com shows e barraquinhas em Oswaldo Cruz. 
Os shows na Central do Brasil continuam, mas acontecerão no próprio Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro, quinta-feira.

Por Eugênia Rodrigues
Publicada em 12 de Novembro de 2010

Fonte: http://www.samba-choro.com.br/noticias/24867


quinta-feira, 11 de novembro de 2010



VI  CAMINHADA  CONTRA 
A VIOLÊNCIA, A INTOLERÂNCIA 
RELIGIOSA E PELA PAZ




CINE  AFRO
Barra Mansa / RJ






LABORATÓRIO EMPRESARIAL PARA
JOVENS AFRODESCENDENTES
SECRETARIA MUNICIPAL DA REPARAÇÃO/SEMUR
EM PARCERIA COM A
 YABT BRASIL – YOUNG AMÉRICAS BUSINESS TRUST

SALVADOR-BA
 
ACESSE MAIORES DETALHES E PROGRAMAÇÃO DO LABORATÓRIO EMPRESARIAL



QUANDO? 16  a 19 e 22 de novembro de 2010

ONDE? Rua Miguel Calmom, 506, Ed. Ouro Preto, 9º andar, Comércio, Salvador/BA.
Auditório do CEADe - Centro Ecumênico de Apoio ao Desenvolvimento.

QUANTO? Inscrição gratuita

DURAÇÃO: 20h aulas – 8:30hs ás 12:30 – 5 dias.

PERFIL: Jovens afrodescendentes com visão empreendedora entre 17 e 35 anos

Os interessados devem preencher a ficha de inscrição, em anexo, enviar para o e-mail selodadiversidade@gmail.com. As inscrições vão até o dia 12 de novembro (sexta-feira) às 12h. As inscrições encerram-se ao preencher as 25 vagas.



I FÓRUM INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E IDENTIDADES – GÊNERO,
RAÇA E EDUCAÇÃO NOS PAÍSES DA
DIÁSPORA DEPOIS DE DURBAN


Entre os dias 25 de outubro e 18 de novembro, estarão abertas inscrições gratuitas para o I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades – Gênero, Raça e Educação nos Países da Diáspora depois de Durban, através do site www.fiedi.com.br.

O evento, dirigido a professores da rede pública municipal e pessoas ligadas a entidades que atuam nas áreas relacionadas ao tema, acontecerános dias 25, 26 e 27 de novembro, no Hotel Pestana (Rio Vermelho).
Os organizadores pretendem reunir cerca de 500 pessoas do Brasil, da Nigéria e dos Estados Unidos em torno de mini-cursos, workshops, mesas de discussões, exposição, lançamento de livros e show de encerramento, onde o tema central será a intersecção de gênero-raça e educação.
Promovido pela Secretaria Municipal de Educação (Secult), através do Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescentes (Fiema) e Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico (CENAP), o evento foi idealizado pela Tsedakah – Tecnologia e Humanidades.
Com o Fórum, a Secult pretende multiplicar as discussões e os resultados dentro da rede municipal de educação. Para tanto, todas as propostas retiradas resultarão em recomendações, que nortearão as políticas públicas na capital baiana. "Nosso objetivo é promover a superação das discriminações, sejam elas da ordem do racismo, sexismo ou homofobia”, frisou o secretário Carlos Soares.
Evento: I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades
Data: 25 a 27 de novembro de 2010
Local: Hotel Pestana - Rua Fonte do Boi, 216 - Rio Vermelho, Salvador (BA)
Mais informações: www.fiedi.com.br
 

WORK  JOVEM
Espaço das Diferenças



 

LENDAS  E CONTOS AFRICANOS
BEJE  ERÓ
em  Salvador
 



Conhecendo as atividades do
BEJE ERÓ ...






BAR  SAMBA
 em SP


quarta-feira, 10 de novembro de 2010


CURSOS DE QUALIFICAÇÃO


A Empresa *EOSS Consulting* em parceria com a Secretaria Estado de Ação Social e Direitos Humanos (SEASDH) e a Superintendência de Direitos da Mulher (SUDIM) está se organizando para desenvolver qualificações profissionais atendendo 1600 mulheres no Estado do Rio de Janeiro no dia 22 de novembro. O segundo grupo de cursos, está previsto para iniciar no dia 06 de dezembro. Entre os cursos oferecidos destacam-se:


a) desenvolvimento de acessórios com orientação a produtos recicláveis e reciclados; (Centro, São João de Meriti, Nova Iguaçu (Queimados e Japeri), Mesquita, Belford Roxo, Saquarema, São Gonçalo, Cabo Frio, Silva Jardim, Petropolis e Teresópolis)


b) artesanatos em peças de decoração com orientação a produtos recicláveis e reciclados (Centro e São João de Meriti)


c) recepcionista; (Centro e Niterói)


d) cuidador de idoso; (Belford Roxo e Nova Iguaçu (Queimados e Japeri) e São Gonçalo)


e) hospitalidades em serviços de camareira; (Cabo Frio e Saquarema)


f) produção e ornamentação de eventos; (Nova Iguaçu e Centro)


g) Restauradora em suporte para papel e sistemas de construção de livros; (Centro)


h) Conservação de bens culturais e patrimoniais; (Centro)


i) Construção de artefato em papel; (Centro)


j) Capacitação de restauro de bens decorativos e suportes em madeira; (Centro)


l) Tranças Afro Nagô; e (Centro)


m) Megahair. (Centro e Nova Iguaçu, Queimados e Japeri)


Iremos trabalhar com 15 municípios do Estado do Rio de Janeiro, priorizando atendimento as mulheres atendidas pela rede dos CRAS, CREAS, Coordenadorias e outras, através de parcerias com algumas instituições locais, priorizando mulheres vítimas de violência e beneficiárias do Programa Bolsa Família.

No caso de dúvidas podem ser enviadas para o e-mail:
daise@eossconsulting.com , silvia@eossconsulting.com ou
sabre@eossconsulting.com ou postmaster@eossconsulting.com


Este curso faz parte de uma projeto da *EOSS CONSULTING* e da SUDIM/ SPM, em trabalhar com qualificação para Mulheres, com foco no turismo e nas perspectivas de trabalho voltados para este segmento, orientado pelos Jogos Mundiais Militares 2011, da Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016.

Prevê atender na diversidade de cursos propostos mulheres e criar oportunidades de geração de trabalho e renda no Estado do Rio de Janeiro. As áreas de abrangência devem compor os municípios:
- Rio de Janeiro; Niterói; São Gonçalo;
- Nova Iguaçu (Queimados e Japeri); São João de Meriti; Mesquita; Belford Roxo; Duque de Caxias;
- Teresópolis; Petrópolis;
- Araruama; Silva Jardim e Saquarema.

Solicitamos indicar os cursos para mulheres, que podem se interessar e assim possamos atender nosso público de acordo com a vocação local, onde elas residem . As inscrições serão realizadas nas Coordenadorias da Mulher, exceto Nova Iguaçu que será feita no CIAM Baixada e Saquarema que será na Associação das Mulheres Empreendedoras.

Obrigada a todos pela contribuição!!!

Daise Rosas da Natividade
Diretora Executiva de Relações Institucionais
daise@eossconsulting.com 

Roseli de Oliveira
Coordenadora de Políticas para a População Negra e Indigena
Convida ...

PALESTRA:    DISCRIMINAÇÃO RACIAL
NAS RELAÇÕES DE CONSUMO
11/11 – quinta-feira / 14 horas / SP

No shopping, percebeu o segurança te acompanhando?
Na loja, os atendentes te trataram com descaso ou foram agressivos?
O caixa desconfiou dos seus documentos ou do seu cheque na hora do pagamento?
Venha debater discriminação no ambiente de Consumo

Auditório Espaço da Cidadania “André Franco Montoro”
Páteo do Colégio, 184 - térreo
Centro – São Paulo - SP


CAIXA PRETA APRESENTA:
MÃE CORAGEM
EM PORTO ALEGRE
14/11/10



Mãe Coragem, de Brecht, com o Grupo Caixa Preta
(Porto Alegre, RS)


Mantendo sua tradição no uso dos elementos da cultura afro-brasileira, o Grupo Caixa-Preta estreia nova montagem inspirado livremente na obra de Brecht, inova no estilo de encenação e traz a Porto Alegre renomado diretor colombiano

O Grupo Caixa-Preta realiza, neste domingo, dia 31 de outubro, a segunda apresentação da temporada de estréia de seu mais novo trabalho: o espetáculo de rua “Mãe Coragem”, livremente inspirado na obra “Mãe Coragem e seus filhos”, do destacado dramaturgo e encenador alemão Bertolt Brecht (1898-1956). A apresentação será às 17h, no Quilombo dos Alpes, em Porto Alegre. No elenco, estão: Diego Neimar, Gil Colares, Lucila Clemente, Ravena Dutra, Rielle Dutra, Silvia Duarte e Silvio Ramão. A montagem tem a direção cênica do colombiano Javier Moná Lapeira, especialmente convidado para dirigir esta encenação.

Esta proposta foi vencedora do I° Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras, iniciativa do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves e Fundação Palmares, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, com patrocínio da Petrobras.

Em seu novo trabalho, o Caixa-Preta se lança a novos desafios: trabalha com um novo diretor e investiga um outro espaço de encenação, a rua. A experiência com Javier Moná propiciou a pesquisa e a investigação em outro estilo de interpretação: o do distanciamento crítico, proposto por Brecht, em seu famoso método. “Trabalhei com o método de Brecht, mas mantive a pesquisa baseada nos elementos da cultura afro-brasileira, explica Javier Moná. “Minha principal preocupação foi garantir o espírito brechtiano, que defino como um teatro para quebrar esquemas”.

Neste sentido, tudo começará com a relação com o público, que não será convencional. “É no teatro de rua que nascem as grandes mudanças. Trata-se do grande teste para o ator”, avalia. A concepção brechtiana tem muito a ver com o teatro de rua. “No teatro de rua, a nudez da peça é muito maior que em um espaço convencional. A rua deixa claro que a encenação não pretende criar uma ilusão, mas se propõe a criar uma experiência real”.

“Nosso trabalho está focado em quebrar a possibilidade de ilusão que uma peça de teatro em espaço convencional pode gerar. Por isso, optei pela ruptura da psicologia dos personagens”. Na prática, significa que os atores se revezarão na atuação dos diversos personagens, cada qual oferecendo sua própria maneira de interpretação, a partir de suas experiências e vivências pessoais.

Seguindo o método do distanciamento proposto pelo dramaturgo e encenador alemão, Javier teve uma preocupação especial com o tratamento vocal dos atores. “Em Brecht, o tom da encenação é dado pela voz”, explica ele. “Utilizo a técnica do pregão, o que também remete a uma prática do universo africano. Na prática, os atores criam um sotaque próprio para os personagens e para as diferentes atmosferas propostas. Estamos nos arriscando, mas está na hora de quebrarmos alguns conceitos. O teatro precisa reencontrar sua raiz popular”, diz.

Um dos elementos a serem ressaltado em “Mãe Coragem” é a trilha sonora, que terá a importante função de ligar as cenas e sustentar o universo simbólico proposto pela encenação. Sob a direção musical de Luiz André da Silva (Prêmio Açorianos de Melhor Trilha Sonora 2005), será executada ao vivo, por todos os atores. A matriz africana se fará novamente presente, com sua riqueza de ritmos e timbres. Foram criados dois climas musicais: a música angolana e a música nordestina sublinham os momentos mais alegres e as canções típicas da religiosidade afro-brasileira pontuam as cenas mais fortes, densas e trágicas. “O que o público irá ver é uma visão afro-brasileira e latino americana do teatro épico. É uma descentralização conceitual deste universo. Outro destaque da encenação será o cenário, sobre o qual o grupo ainda mantém segredo.


As próximas apresentações
12/11 - Esquina Democrática - Andradas – 17h30min
14/11 - Usina do Gasômetro – 17h 30min
20/11 - Quilombo do Ariel – 17h30 min

FICHA TÉCNICA
Mãe Coragem: Livremente inspirado na obra “Mãe Coragem e seus filhos”, de Bertolt Brecht
Dramaturgia: Grupo Caixa-Preta
Elenco: Diego Neimar - Gil Colares - Lucila Clemente - Ravena Dutra - Rielle Dutra - Silvia Duarte - Silvio Ramão
Direção: Javier Moná Lapeira
Direção musical : Luiz André da Silva
Preparação Corporal: Vivian Narvaez
Figurinos e Cenários: O Grupo
Fotos: Kiran Federico León
Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu
Patrocinio: Petrobras, Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura
Realização: Cadon – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves - Fundação Cultural Palmares
Produção: Grupo Caixa-Preta
Contatos com o Grupo: (51) 93022833 (Silvia) / (51) 91220222 (Silvio)


Fontes:
1. Gil Colares - gilcolares@gmail.com
2. http://coisasdeteatro.blogspot.com/2010/10/mae-coragem-de-brecht-com-o-grupo-caixa_29.html


MULHERES NEGRAS
EM TODAS AS CORES
 
Exposição de Fotografias de
Claudia Ferreira


 BAILE  CHARM  COQUETEL 
Volta Redonda



terça-feira, 9 de novembro de 2010


AFRICANIDADES BRASILEIRAS...
04 a 30/11 - Sesc Ipiranga/SP



== ALTERAÇÃO DE DATA, MAS, AINDA SEM DEFINIÇÃO ==


Cheiro da Feijoada
RJ


Seminário:
 
Balanço das Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial no Vale do Paraíba Fluminense


 
PROJETO  COMO  UMA  ONDA

PALESTRA: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO RJ
RELATOS & DADOS




Semana da Consciência Negra
em Resende ...



terça-feira, 2 de novembro de 2010



05 a 28/11 em Salvador
03 a 12/12 no Rio de Janeiro



“Alguém que já viveu e que já acumulou experiências e ensinamentos tem a oferecer, tem a dar.  E também é um portador de toda uma história que foi acumulada. Por isso que tomar bença significa receber a vibração positiva dessas pessoas. A bença serve pra quem é abençoado;  não pra quem põe a bença”,  Makota Valdina, educadora, religiosa e líder comunitária

Para celebrar seus vinte anos de existência, o Bando de Teatro Olodum estreia o espetáculo “Bença”, com patrocínio da Petrobras, através da Lei Rouanet. Em Salvador, a montagem fica em cartaz de 5 a 28 de novembro, no Teatro Vila Velha, enquanto o Rio de Janeiro terá temporada de 3 a 12 de dezembro, no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico. O respeito aos mais velhos é o mote da peça teatral, que propõe o resgate da memória cultural da população afro brasileira. Em cena, os 19 atores e dois músicos contracenam com os depoimentos em vídeo de Bule-Bule, Cacau do Pandeiro, D. Denir, Ebomi Cici, Makota Valdina e mãe Hilza, figuras emblemáticas e guardiãs da cultura popular.

Em cartaz até 28 de novembro, “Bença” marca ainda a volta de Márcio Meirelles como diretor de teatro, fato que não acontece há quatro anos, quando ele assumiu a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. “Posso definir esse trabalho como um espetáculo de instalação, que eu fui descobrindo como fazer durante o próprio processo”, reflete Meireles. Os diálogos abstratos de enredo bem tramado ganham corpo num palco com 20 metros de boca de cena. Nesse espaço, os vídeos conduzem o espectador para o sentido do espetáculo, que pode escolher que imagem quer acompanhar entre os três telões de exibição simultânea.

São sete temas principais que correspondem a sete diferentes blocos: Começo, Mais Velhos, Respeito, Crianças, Morte e Fim. Meia hora antes do começo da peça, a ação já está em andamento – enquanto a plateia vai se acomodando, os atores estarão visíveis no tablado, cantando e tocando tambores e atabaques. Os telões também já estarão ligados, com imagens de atores negros que atuavam antes de 1990, ano de surgimento do Bando de Teatro Olodum. Para completar, dois componentes do elenco filmam a entrada do público, com transmissão simultânea. A partir daí, a cada bloco dois atores se revezam na filmagem do próprio espetáculo.

Com linguagem contemporânea e não linear, a peça, ao falar dos mais velhos, trata a passagem do tempo como algo construtivo e enriquecedor. Não um tempo cronológico que simplesmente passa, mas o tempo das coisas, ou seja, ele é circular e traz benefícios.

“O tempo, pra cultura banto, é muito profundo e envolve a formação de tudo, já que não é só o tempo do homem. É aí que entra a ancestralidade. Quando se diz que os orixás são ancestrais é porque eles vieram antes do ser humano, assim como a natureza veio antes do ser humano. Foram eles que possibilitaram o nascimento da vida humana e o seu desenvolvimento. A gente é o resultado de toda essa natureza criada antes e essa essência de ancestralidade, portanto, deve ser respeitada”, Makota Valdina

Com isso, a montagem também passa a mensagem do saber envelhecer bem. “Em nossas entrevistas, encontramos líderes que parecem resistir ao extremo e se mantêm vivos apenas esperando que alguém chegue para substituí-los. Isso resume bem o nosso trabalho de garimpagem do conhecimento – um conhecimento que não se encontra nos livros e que acaba se perdendo se não for resgatado”, afirma a diretora de produção Chica Carelli. Nesse sentido, “saber envelhecer bem” pode ser interpretado como aprender a entender, a dosar e a dominar o tempo. Na fala do cordelista Bule Bule, “quem sabe viver espera a morte com grandeza e produz bastante, até no último momento. Deixa um legado para se comentar e continua vivendo através da sua obra em outras matérias. Se for manso com o tempo, convive com ele e chega onde deseja”.

“Tem coisa na juventude que não consigo entender

Velho ninguém quer ficar

Novo ninguém quer morrer

A melhor coisa da vida é ficar velho e viver”,

Bule Bule

Para Cacau do Pandeiro, a morte é uma das etapas do processo natural da vida e deve ser encarada com alegria. “Quem parte cedo é porque não teve aquele merecimento de ficar velho e aí tem que morrer”, diz ele. A mensagem positivista do espetáculo mostra que o corpo físico desaparece e se transforma, mas que a essência de cada um é eterna.

No que retoma o respeito aos mais velhos, “Bença” fala também das crianças. “Na minha família, o reconhecimento do saber dos idosos sempre foi natural. Minha bisavó era a vedete da contação de histórias e todo mundo ficava quieto para ouvir”, diz Zebrinha, coreógrafo da peça. Ele complementa com um alerta: “os velhos precisam ser preservados mesmo como pessoas físicas”. De fato, o pensamento corrobora com a fala de Makota Valdina em um dos vídeos quando ela lembra que em tempos passados a relação com a antiguidade envolvia uma reverência mais forte. “Dá-se muito valor ao que é novo, ao que é moderno, mas o que é velho está ficando em desuso”, afirma a educadora.

Com essa energia ancestral de orixá, tudo conspira a favor de uma justa homenagem à companhia negra mais popular e expressiva da história do teatro na Bahia.

O Projeto: O espetáculo “Bença” faz parte de um projeto maior chamado “Respeito aos Mais Velhos”, que ganhou, há dois anos, o edital de manutenção de grupos e companhias de teatro e dança do Programa Petrobras Cultural. As cidades de Salvador, Ilhéus, Feira de Santana e São Luís (Maranhão) receberam workshops de memória e identidade, dança, teatro e música com foco no resgate cultural e sabedoria popular – sempre abertos ao público. A mesma equipe que ministrava os workshops realizava as pesquisas e entrevistas que seriam usadas em “Bença”. Já os seminários aconteceram em Salvador, com os seguintes temas: Patrimônio Imaterial, Quilombos Urbanos, História da Ocupação Territorial do Povo Negro e Registro de Memórias e Tradições.

Serviço:
Onde: Palco Principal do Teatro Vila VelhaEndereço: Passeio Público, Campo GrandeTelefone: 3083-4600Quando: de 5 de novembro a 28 de novembro. Sempre às 20h, de sexta a domingo.Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada)Realização: Bando de Teatro Olodum e Teatro Vila Velha

E-mail: bando2@gmail.com Site: www.bandodeteatro.blogspot.com Ficha técnica:Concepção do roteiro cênico e de encenação Márcio Meirelles

Fragmentos de textos : Bando de Teatro Olodum

Depoimentos: Bule-Bule, Cacau do Pandeiro, D. Denir, Ebomi Cici, Makota Valdina e mãe Hilza.

Poemas: Jônatas Conceição da Silva

Direção: Márcio Meirelles

Co – Direção teatral e Direção de Produção: Chica Carelli

Coreografia: Zebrinha

Direção Musical :Jarbas Bittencourt

Iluminação: Rivaldo Rio

Figurino: Zuarte Junior

Desenho de som: Filipe Pires

Operação de som: Mauricio Roque

Montagem de som: Equipe técnica do Teatro Vila Velha

Cenário: Márcio Meirelles

Edição de vídeo e VJ: Davi Gabiru

Preparação de Canto: Marcelo Jardim

Oficina de percussão: Marcus Bobó

Oficina DJ: DJ MagoneVídeo :Registro das entrevistas: Bando de Teatro Olodum, Maise Xavier, Davi Gabirú

Edição das entrevistas : Maise Xavier e Davi Gabirú

Realização: Estúdio do Vila

Programação visual: Camilo Fróes

Fotos: João Meirelles

Divulgação: Via press - Elaine Hazin Direção de Produção: Chica Carelli

Equipe de Produção: Auristela Sá, Fábio Santana, Telma Sousa e Valdineia Soriano

Estagiários de Comunicação: Eduardo Machado, Viviane Vergasta

Equipe de vídeo do Bando: Arlete Dias, Cell Dantas, Ednaldo Muniz, Leno Sacramento e Telma Souza

Equipe de Figurino: Auristela Sá e Valdineia Soriano

Equipe de Cenário: Gerimias Mendes .

Equipe administrativa : Chica Carelli e Fabio Santana,

Administração de projetos : Márcia Menezes e Ana Cecília Rosa (estagiária)

Coordenador Técnico: Rivaldo Rio

Elenco: Arlete Dias, Auristela Sá, Cássia Valle, Cell Dantas, Clésia Nogueira, Ednaldo Muniz, Elane Nascimento, Fábio Santana, Gerimias Mendes, Jamíle Alves, Jorge Washington, Leno Sacramento, Merry Batista, Rejane Maia, Rídson Reis, Robson Mauro, Sergio Laurentino, Telma Souza, Valdinéia Soriano.

Músicos: Maurício Lourenço e Daniel Vieira (Nine) Realização: Bando de Teatro Olodum e Teatro Vila Velha Projeto patrocinado pela Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

Histórico do Bando de Teatro Olodum(texto de Marcos Uzel, autor do livro “O Teatro do Bando – Negro, Baiano e Popular”)

O Bando de Teatro Olodum entrou em cena num final de tarde de Verão, no tablado informal de uma sala de dança no coração do Centro Histórico de Salvador. Naquele dia 25 de janeiro de 1991, chegava ao palco a companhia negra mais popular e expressiva da história do teatro na Bahia. No peito e na raça, o Bando agigantou-se. Em sua primeira apresentação, lançou a comédia Essa é nossa praia, composta por personagens baseados em tipos comuns das ruas do Pelourinho. Foi a primeira da Trilogia do Pelô, um olhar para a cultura baiana através da recriação de tipos populares, da religiosidade, da vida profana, das referências na música e na dança, enfim, um ponto de vista sobre a cidade mais negra do país.

Os outros dois espetáculos ampliaram o conteúdo temático da peça inaugural. Em Ó paí, ó!, o elenco bateu na porta dos cortiços do Pelourinho e foi para dentro das casas conhecer a intimidade dos seus moradores. Já em Bai bai Pelô, discutiu as consequências sociais do projeto de recuperação proposto pelo governo baiano para este sítio histórico tombado como patrimônio da humanidade. A peça marcou o início da carreira de Lázaro Ramos, um dos nomes mais prestigiados da nova geração de atores brasileiros, e tirou do anonimato a cantora baiana Virgínia Rodrigues, na época uma manicure que era solista do Oratório de Santo Antônio.

A partir de Bai bai Pelô, a militância negra do Bando ganhou um engajamento ainda mais evidente. O trabalho seguinte, Zumbi, abordou a realidade social das invasões e favelas das metrópoles e homenageou o grande herói da luta dos negros contra a escravidão. O contato direto com a população pobre de Salvador foi reafirmado em Relato de uma guerra que (não) acabou, uma contundente reflexão sobre a violência urbana, que fortaleceu a criação teatral crítica do grupo diante de uma realidade estendida a aspectos culturais e sociais do Brasil como um todo.

O Movimento dos Sem Terra, por exemplo, serviu como referência em Um tal de Dom Quixote, baseada na obra secular do autor espanhol Miguel de Cervantes. Já o tema de Erê pra toda a vida/Xirê foi a chacina ocorrida no Rio de Janeiro, em 1993, e que resultou no assassinato brutal de oito meninos com idade entre 10 e 17 anos, próximo à Igreja da Candelária. Na peça, cada menor morto na chacina representava um erê (criança, nos cultos afro-brasileiros) e estava associado a um orixá.

O interesse pelo candomblé, aliás, já havia sido posto em prática na peça Onovomundo, enquanto lendas sobre os orixás pontuaram o enredo de Áfricas, o primeiro espetáculo infanto-juvenil do Bando, cujo conteúdo mostra um pensamento sobre a afrodescendência para um novo público alvo e celebra a beleza da vida com os erês de uma África plural, sem deixar de dizer às crianças que o racismo não é ficção.

Mas foi com outra investigação sobre as relações humanas, tendo a questão racial como eixo central, que o grupo criou o espetáculo mais popular e de maior longevidade do seu repertório. Nunca na história do teatro na Bahia uma montagem encenada exclusivamente por atores e atrizes negros fez tanto sucesso e permaneceu tanto tempo em cartaz quanto o Cabaré da Rrrrraça, em evidência há 13 anos, com passagem por várias cidades brasileiras, além de temporadas internacionais em Portugal e Angola.

O Cabaré consolidou a popularidade local da companhia. Até que, em 2007, dez anos após a estréia desse verdadeiro cartão postal cênico, veio a visibilidade midiática no país com o filme Ó pai, ó e, na sequência, foi ao ar o bem-sucedido seriado homônimo exibido na TV Globo. Quando o grupo baiano entrou em cena nos palcos pela primeira vez, estava escrito no programa de apresentação: “Escolhemos o teatro onde basta o homem, suas palavras e sua fome de emoção e contato”. Há vinte anos, cada representante desta equipe faz valer com beleza e dignidade estas palavras, sublinhadas no conjunto dos 28 espetáculos que compõem seu repertório. Vida longa ao Bando, um bem necessário numa Bahia onde a festa e a dor dividem a mesma vizinhança.